Contato

Base Florianópolis - Santo Antônio de Lisboa
fone: (48) 988.11.31.23
Prof. Marcelo Visintainer Lopes

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Quem veleja tem história # 2 - parte 1

Quem veleja tem história #2 – parte 1

Perrengue no translado Salvador – Vitória

As imagens são de André Larréa



Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela  

Escola de Vela Oceano


Ano: 2010

Veleiro: Delta 36’

Missão: translado

Trecho da parte 1: Salvador - Abrolhos

Tripulantes: André, Leandro e Carlos.

Comandante: Marcelo Lopes 


Começando a travessia...

Desatracamos do Centro Náutico da Bahia em direção ao posto flutuante próximo do Forte São Marcelo.

Completamos o tanque e enchemos as demais bambonas com mais de 250 litros de algum combustível que deveria ser diesel.

Tudo pronto, barco abastecido, vela grande para cima e adeus Salvador.

Seguimos no motor por mais alguns minutos e em seguida abrimos a genoa, já com a proa no rumo de Abrolhos.

As ilhas do arquipélago estavam há dois dias de viagem (cerca de 300 milhas) e esta era a primeira parte da missão.

A ideia era realizar um registro fotográfico da fauna e da flora de Abrolhos.

Um dos meus tripulantes veio a bordo especificamente para registrar a expedição (@andrelarrea).

A parada no arquipélago também seria de descanso e espera pela passagem da segunda massa de ar vinda do sul.

Antes da saída da baia de Todos os Santos veio a primeira surpresa: nossa genoa explodiu como um pepel. Não havia vento para toda aquela destruição. No momento havia apenas 15kt, mas as costuras (apodrecidas) não resistiram.

O interessante é que poucos dias antes eu havia ido e voltado a Fernando de Noronha com esta vela e sempre com ventos próximo dos 20kt.

Arriamos o restos mortais da genoa e trocamos por outra que achei no paiol.

A única vela reserva era uma buja de kevler e logo percecbi que ela não fazia parte do enxoval original do barco.

Fazer o que?

Pelo menos era uma vela forte.

Logo na subida já comecei a rir do seu tamanho minúsculo, se comparada à genoa anterior.

Nem poderia imaginar que aquela velinha nos salvaria logo ali na frente.

O vento de popa e a asa de pomba nos empurravam ladeira a baixo com excelentes médias de velocidade (7kt nas primeiras 24 horas).

Uma velejada dos sonhos com muita música brasileira, boa comida e muitas risadas.

O vento soprava constante na casa dos 20kt e o mar variava entre 1,5m e 2,0m.

Disputas de quebra de recorde de velocidade nas surfadas nos mantiveram ligados por um longo período, até o vento acabar.

A brincadeira durou praticamente 24 horas e nas 12 horas seguintes o vento perdeu a força até acabar.

Havia a previsão da entrada de uma frente e por isto escolhemos a parada estratégica em Abrolhos.

O vento parou e virou, antes de conseguirmos alcançar o abrigo das ilhas.

Com o vento já entrando forte e na cara, ligamos o motor e enrolamos a genoa para tentar aproximar ao máximo do rumo.

Mantínhamos a vela grande sempre cheia para ajudar o motor e assim fomos galgando algumas milhas, até o motor começar a perder a potência.

Ainda faltavam umas 20 milhas e não podíamos mais contar com o motor. Abrimos a genoa e seguimos velejando por mais umas 12 horas.

Uma forte corrente contrária fazia despencar a nossa velocidade real e por isto demoramos tanto tempo para completar aquele pequeno trecho.

Volta e meia eu ligava o motor para ver se ele voltava ao normal, mas nada diferente acontecia. Ao acelerar ele perdia a potência...

Alcançamos Abrolhos ao amanhecer e logo jogamos ferro.

Fiz contato com a ilha e pedi licença para desembarcar a “equipe de fotografia. Desembarque aceito!

Quando chegamos havia apenas um barco fundeado naquela ancoragem. Chamei-o pelo rádio e perguntei se por acaso não havia alguém que pudesse me ajudar com o motor.

Era o barco de uma operadora de mergulho e dentro dele havia apenas um tripulante. O resto da tripulação e os mergulhadores estavam todos na água.

Aquele único ser humano que encontrava-se a bordo era o mecânico do barco. E tem gente que não acredita em Deus! Rsrsrsrs

                                               Escola de Vela Oceano 

O rapaz de nome “Digão” veio a bordo com todas as suas ferramentas, mangueiras e alguns litros de óleo diesel filtrado.

Passamos a manhã inteira mexendo no motor e realizando os testes de força. Digão descobriu que o nosso diesel estava completamente contaminado de água salgada.

Havia um pouco de diesel na água salgada.

Sim, isto mesmo!

Não era água no diesel e sim diesel na água. Havia muito mais água do que diesel.

Enfim, depois de um dia inteiro de tentativas Digão chegou ao veredito aproximado: deu ruim nos bicos injetores...

Perdemos o motor!

A perna seguinte seria toda de contravento e o nosso destino era o conturbado Porto de Vitória.

Fazer o quê?

No final desta mesma tarde que fundeamos em Abrolhos, suspendemos o ferro e partimos, sem motor, rumo a Vitória.

A frente havia acalmado e seguimos com pouco vento e com muita correnteza contrária...

Como a história é meio extensa eu vou concluir na outra postagem.

 Até lá!

Escola de Vela Oceano - mecânico Digão (centro)

Eu à direita e Leandro Ávila (esquerda)




Vela Oceânica em Florianópolis, Aula de Vela em Floripa, Escolas de Vela no Brasil
Aprenda a velejar em Floripa, Escola de Vela Oceano, Universidade da Vela no Brasil
Veleiro Floripa, Barco à Vela Florianópolis, Charter de Veleiro em Floripa
Como aprender a velejar? Quero aprender a velejar, Velejar é uma arte
Aluguel de barco em Floripa, Aluguel de Veleiro para comerciais e filmes
Curso de Veleiro, Escola de Veleiro, Curso Navegação Costeira, Curso Iatismo
Travessias Oceânicas, Vela de Cruzeiro, Curso de Vela de Cruzeiro
Escola de Iatismo, Vela de Cruzeiro, Vídeos de Veleiro, Vídeos Velejando
Professor Marcelo Visintainer Lopes, Velejar, Onde aprender a velejar?
Escola de Vela Itajaí, Curso de Vela Oceânica Itajaí, Aula de Vela Itajaí
Escola Veleiro Itajaí, Velejar Itajaí, comprar veleiro, vender veleiro, aulas de iatismo
Morar em um veleiro, morar a bordo, quanto custa morar em um veleiro

Veleiro Escola Oceano VI

 Veleiro Escola Oceano VI clicado pelas lentes do amigo Andreas (veleiro Atixba).


Escola de Vela Oceano - Base Santo Antônio de Lisboa


Escola de Vela Oceano - Base Santo Antônio de Lisboa


Escola de Vela Oceano - Base Santo Antônio de Lisboa



 Escola de Vela Oceano - Base Santo Antônio de Lisboa


Vela Oceânica em Florianópolis, Aula de Vela em Floripa, Escolas de Vela no Brasil
Aprenda a velejar em Floripa, Escola de Vela Oceano, Universidade da Vela no Brasil
Veleiro Floripa, Barco à Vela Florianópolis, Charter de Veleiro em Floripa
Como aprender a velejar? Quero aprender a velejar, Velejar é uma arte
Aluguel de barco em Floripa, Aluguel de Veleiro para comerciais e filmes
Curso de Veleiro, Escola de Veleiro, Curso Navegação Costeira, Curso Iatismo
Travessias Oceânicas, Vela de Cruzeiro, Curso de Vela de Cruzeiro
Escola de Iatismo, Vela de Cruzeiro, Vídeos de Veleiro, Vídeos Velejando
Professor Marcelo Visintainer Lopes, Velejar, Onde aprender a velejar?
Escola de Vela Itajaí, Curso de Vela Oceânica Itajaí, Aula de Vela Itajaí
Escola Veleiro Itajaí, Velejar Itajaí, comprar veleiro, vender veleiro, aulas de iatismo
Morar em um veleiro, morar a bordo, quanto custa morar em um veleiro




terça-feira, 25 de agosto de 2020

Energia a bordo do veleiro

 

Imagem: Escola de Vela oceano Florianópolis


Baterias & Veleiros

Energia a bordo

 

Por Marcelo Visintainer Lopes

Escola de Vela Oceano

 

Virou o arranque e não tinha ninguém em casa?

Quem nunca?

Baterias comuns costumam durar muitos anos, mas não são eternas.

Se derem de algum tipo de aviso, aproveite e coloque novas.

Nem pense em dar uma esticadinha na sua vida útil, pois deixarão você na mão mais uma vez.

Se o aviso for precoce (bateria ainda nova) é muito provável que o problema esteja no alternador.

Não substitua a bateria. Chame um técnico ou retire o alternador e leve-o até uma oficina.

O banco de baterias do veleiro deve ser dimensionado para dar conta de todos os instrumentos e equipamentos nas 24 horas do dia (com no mínimo 100% de sobra).

O consumo médio varia muito de veleiro para veleiro, mas vou exemplificar com valores entre 10Ah e 15Ah (ampères-hora).

 

- 10Ah x 24h = 240A - O tamanho mínimo do banco será 480A.

- 15Ah x 24h = 360A - O tamanho mínimo do banco será 720A.

 

Veleiros com motor de centro produzem sua energia através do alternador.

Ele também é responsável por carregar as baterias, mas é importante ressaltar que a forma “rápida” com que carrega, eleva a temperatura interna e deteriora prematuramente as placas.

Pensando nisto, somado ao desgaste do motor e no consumo de combustíveis fósseis é que devemos buscar outras formas alternativas de geração de energia.

Geradores eólicos conseguem produzir quase toda a nossa energia do dia, mas dependem do ângulo e da velocidade do vento para cumprir essa tarefa.

Os hidrogeradores estão no topo da lista de eficiência energética, porém com um custo bem superior se comparado com as placas solares.

Embora não gerem energia limpa os geradores auxiliares (diesel e gasolina) dão um excelente suporte na geração de energia para equipamentos de grande consumo.

Alguns modelos possuem carregador de bateria integrado e os demais necessitam de um carregador ligado a ele.

Em dias nublados e chuvosos as placas diminuem em até 90% sua eficiência, assim como os geradores eólicos nas zonas de calmaria.

É por esta razão que os geradores auxiliares e o alternador do motor se tornam imprescindíveis.

Quando pensamos no tipo ideal de bateria para compor o nosso banco, devemos levar em conta a utilização do veleiro.

Seu barco é do tipo que veleja bastante ou fica mais tempo parado?

Esta informação determina a escolha pelas baterias comuns (automotivas) ou pelas estacionárias.

As baterias comuns são mais baratas e a sua vida útil é muito interessante.

A dica para aumentar a sua vida útil é não deixar baixar mais do que mais que 10% da sua carga total. Elas não foram desenvolvidas para perder muita carga como as baterias estacionárias.

Outro detalhe importantíssimo é que elas foram criadas para situações de constante movimento, propiciando a mistura dos líquidos internos (água e ácido).

Com os constantes movimentos do veleiro, o ambiente de mistura destes líquidos se aproxima muito dos automóveis, o que acaba sendo benéfico.

Barcos que ficam parados por longos períodos produzem um efeito de separação da água e do ácido.

O mesmo serve para barcos que velejam em águas muito abrigadas e sem ondas.

Este efeito faz com que a bateria perca a capacidade de gerar picos de energia para o arranque e também leva à degradação prematura.

Embora as baterias estacionárias possuam um ciclo de vida maior, a composição de seus líquidos internos foi desenvolvida para que fiquem imóveis.

Seus líquidos ficam presos entre mantas de microfibra de vidro e o efeito de separação dos líquidos é reduzido.

As estacionárias podem perder até 80% da sua carga sem prejuízo na vida útil e isto é uma grande vantagem em ralação às automotivas. 

Se o seu barco permanece longos períodos parado, não possui fontes alternativas de energia ou veleja em águas lisas, a bateria estacionária pode ser vantajosa.

Se o tema ajudou você, comenta aí!

Ficou confuso?

Me chama que eu explico melhor!


Vela Oceânica em Florianópolis, Aula de Vela em Floripa, Escolas de Vela no Brasil
Aprenda a velejar em Floripa, Escola de Vela Oceano, Universidade da Vela no Brasil
Veleiro Floripa, Barco à Vela Florianópolis, Charter de Veleiro em Floripa
Como aprender a velejar? Quero aprender a velejar, Velejar é uma arte
Aluguel de barco em Floripa, Aluguel de Veleiro para comerciais e filmes
Curso de Veleiro, Escola de Veleiro, Curso Navegação Costeira, Curso Iatismo
Travessias Oceânicas, Vela de Cruzeiro, Curso de Vela de Cruzeiro
Escola de Iatismo, Vela de Cruzeiro, Vídeos de Veleiro, Vídeos Velejando
Professor Marcelo Visintainer Lopes, Velejar, Onde aprender a velejar?
Escola de Vela Itajaí, Curso de Vela Oceânica Itajaí, Aula de Vela Itajaí
Escola Veleiro Itajaí, Velejar Itajaí, comprar veleiro, vender veleiro, aulas de iatismo
Morar em um veleiro, morar a bordo, quanto custa morar em um veleiro

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Dicas de Ouro #1

  


COMUNICAÇÃO EFICAZ X PREVENÇÃO


Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela - Escola de Vela Oceano

 

Sabe aquele cliente de charter que liga todos os instrumentos e depois abre os seus armários para ver o que tem dentro?

E o cunhado que gosta de ir (sem perguntar se pode) até a proa fazer fotos?

O que dizer do meu sobrinho que só usa a gaiuta de proa para entrar e sair do barco?

O tema de hoje está relacionado ao compromisso do comandante em garantir a segurança de todos.

A comunicação eficaz serve justamente para evitar que coisas desse tipo aconteçam sem o seu total conhecimento e consentimento.

Uma conversa objetiva e bem conduzida será capaz de reduzir a quase zero o risco de acidentes e também os prejuízos materiais.

Ela deverá ocorrer logo após o embarque, antes mesmo das pessoas começarem a colocar suas coisas em qualquer lugar.

Muito cuidado antes de começar!

Existe uma grande diferença entre o comandante zeloso e profissional e o chato de plantão. A diferença está apenas na forma como você se coloca.

Por vezes o comandante prefere o silêncio a passar por chato, mas esta não é uma estratégia segura.

Seja no passeio com a família ou em um charter, a responsabilidade com a segurança é a mesma.

O charter deve ter regras bem definidas (preferencialmente em um site), garantindo que o contratante conheça seus direitos e deveres antes de efetuar a reserva.

O que ocorre com muita frequência é que o contratante não repassa aos seus convidados as normas contidas no site e por isto temos a responsabilidade de brifar tudo antes da partida.

Mesmo que você tenha dado todas as dicas é importantíssimo que acompanhe cada movimento a bordo, sem distrações (um olho no gato outro no peixe).

Ninguém tem obrigação de entrar no veleiro sabendo de tudo e por isto mesmo devemos relaxar com as manias.

Algumas coisas que fogem do controle podem realmente incomodar, mas boa parte delas poderiam passar batidas se não fosse a nossa chatice.

A dica é: controle suas manias e deixe a velejada fluir sem grilos bobos.

A comunicação gentil e bem educada é uma obrigação!

Não devemos insistir em grosserias, pois assim descobriremos rapidamente o significado da palavra “insurgência”.

No passado, os oficiais da Marinha Mercante tratavam muito mal seus marinheiros.

Eles morriam de medo de ser empurrados na água e por isto nunca davam chance para o azar.

Conheço bem este tema, pois na minha adolescência eu viajei para a Europa em um navio de carga.

Não embarquei como marinheiro e sim como convidado do gabinete do Ministro dos Transportes.

O Brasil possuía uma autarquia de navegação - Lloyd Brasileiro (fundada em 1894) que contava com uma frota de mais de cem navios que percorriam a Europa, o extremo oriente e os EUA.

Meu camarote ficava ao lado do camarote do comandante e no refeitório, devido às distinções do Ministério, eu também ocupava a cadeira ao seu lado.

Obs. Em outro momento conto como tive esta oportunidade.

Durante as refeições eu me ocupava com as histórias e dicas sobre os cinco países da nossa rota (Alemanha Oriental, Alemanha Ocidental, Bélgica, Holanda e França), mas as histórias que mais me encantavam eram relacionadas aos marinheiros.

O comandante comentava que não era seguro caminhar no convés, pois eles eram muito traiçoeiros.

Do meu camarote eu observava a manutenção diária da ferrugem no convés e não conseguia acreditar que aqueles trabalhadores eram tão maus assim.

Resolvi descer e conhecer as rotinas da tripulação e logo fiquei sabendo que o líder dos marinheiros era gaúcho (como eu) e que torcia para o meu time.

Pronto, eu já tinha carta branca também no convés.

Aproveitava o bom relacionamento com as duas tripulações (oficiais e marinheiros) para ouvir histórias incríveis.

Fiquei três meses embarcado e pude aprender muita coisa sobre “gestão de pessoas”.

Tirei minhas próprias conclusões e entendi que o medo dos oficiais tinha total fundamento, pois os marinheiros eram realmente perigosos.

Não porque eram bandidos e sim por causa das pesadas e constantes humilhações sofridas.

Por sorte esta parte da história da navegação brasileira está ficando para trás com a renovação dos comandantes.

Hoje em dia ele procuram realizar o seu trabalho de gestão valorizando todos os membros da tripulação por igual.


Vela Oceânica em Florianópolis, Aula de Vela em Floripa, Escolas de Vela no Brasil
Aprenda a velejar em Floripa, Escola de Vela Oceano, Universidade da Vela no Brasil
Veleiro Floripa, Barco à Vela Florianópolis, Charter de Veleiro em Floripa
Como aprender a velejar? Quero aprender a velejar, Velejar é uma arte
Aluguel de barco em Floripa, Aluguel de Veleiro para comerciais e filmes
Curso de Veleiro, Escola de Veleiro, Curso Navegação Costeira, Curso Iatismo
Travessias Oceânicas, Vela de Cruzeiro, Curso de Vela de Cruzeiro
Escola de Iatismo, Vela de Cruzeiro, Vídeos de Veleiro, Vídeos Velejando
Professor Marcelo Visintainer Lopes, Velejar, Onde aprender a velejar?
Escola de Vela Itajaí, Curso de Vela Oceânica Itajaí, Aula de Vela Itajaí
Escola Veleiro Itajaí, Velejar Itajaí, comprar veleiro, vender veleiro, aulas de iatismo
Morar em um veleiro, morar a bordo, quanto custa morar em um veleiro

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Quem veleja tem história #1

 

Veleiro Escola Oceano (Delta 32' à epoca)


Travessias x tripulação

 

Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela       

Escola de Vela Oceano

 

Comandantes estão acostumados a lidar com situações desafiadoras por longos períodos e por isto acabam desenvolvendo um modo preventivo de agir.

Sua experiência os ajuda a “ver” o perigo antes dele se aproximar.

São conservadores e seu instinto de sobrevivência é apurado.

Calculam o risco e a consequência antes de pensar no benefício.

Resiliência é a sua principal característica e por isto possui grande facilidade para mudar de rumo e colocar o barco em uma condição mais favorável em relação às condições do mar.

A arte de combinar o melhor equilíbrio do barco, o menor desgaste do equipamento e o conforto da tripulação é uma boa indicação da quantidade de milhas que ele já percorreu.

Seu maior desafio é encontrar solução para os problemas comportamentais dos membros da sua tripulação.

Reparar uma vela rasgada é bem mais simples do que administrar “conflitos” e este será o tema de hoje.

No ano de 2006 contratei dois amigos velejadores da Ilha da Tatuoca – PE para transladar um Delta 32’ de Recife até Ilhabela.

Os dois tinham as características marinheiras que eu precisava e também a educação e a simpatia necessárias para um período mais longo de confinamento.

A notícia da travessia se espalhou rápido e um terceiro tripulante pediu para embarcar.

Um cara a mais para tocar o leme de um veleiro sem piloto automático seria muito bem-vindo.

Ele era amigo e tinha as mesmas características dos demais, porém não era velejador e sua experiência com o mar vinha da pesca artesanal.

Faltando alguns dias para a partida, comecei a ter “pressentimentos estranhos” em relação a ele e achei que seria melhor convencê-lo a desistir.

Eu não tinha nada de concreto para dizer a ele. Eram apenas pressentimentos que não o convenciam.

Até o dia do embarque e, mesmo após o embarque eu continuava tentando...

Saímos do Cabanga no final da tarde e fundeamos em frente ao Pernambuco Iate Clube (dentro da barra) para o jantar.

Eu estava bastante desconfortável com aquele sentimento e até o meu estômago dava sinais...

Ancorei a menos de 50 metros do PIC e não hesitei em fazer a última tentativa, já em tom de voz mais grave: rapaz ainda dá tempo para desembarcar ali naquele pier!

Você pega um ônibus e volta para casa...

Eu já havia explicado e ele que a nossa primeira parada seria em Búzios e que o trecho de mil milhas poderia durar de 6 a 8 dias.

Ele também sabia que o barco não tinha motor de centro. Contávamos somente com um 15Hp de popa para eventuais calmarias.

Imune aos meus argumentos, parecia estar super convicto da sua decisão.

Ok. Suspendemos o ferro logo após o jantar e começamos a velejar.

Logo na saída da barra pudemos contemplar a beleza das luzes da Praia da Boa Viagem e à medida que nos afastamos da costa e como era de se esperar, as luzes foram sumindo.

Estava tudo ótimo até o terceiro tripulante (o mesmo dos pressentimentos) perceber que as luzes haviam desaparecido.

Ele começou a gritar: a luz, a luz, onde tá a luz?

Ele ficou completamente desorientado e muito perturbado emocionalmente.

Quando percebi sua angústia liguei a luz de cortesia para tentar acalmá-lo, mas de nada adiantou.

Liguei todas as luzes da cabine e nada...

Tentamos confortá-lo de todas as formas, mas o descontrole tomou conta, fazendo-o sofrer intensamente de uma fobia que ainda não conseguíamos identificar.

Minha esperança era ele voltar ao normal ao ver o dia amanhecer.

Logo que amanheceu percebemos que o problema não era a falta de luz e sim a falta de terra.

Já tínhamos o laudo psiquiátrico: fobia de terra...

Eu nem sabia que isso existia!

Fazer o que naquela situação com um tripulante chorando dia e noite?

A próxima terra a ser avistada seria no Arquipélago de Abrolhos que estava a uns cinco dias de viagem.

Como só chorava e balbuciava, eu tinha receio dele tentar fazer alguma bobagem e por isto nunca o deixávamos sozinho fora da cabine.

A cada dia que passava o ambiente ficava mais tenso e com cara de filme de suspense.

No final da tarde do segundo ou terceiro dia (não me recordo) o vento começou a aumentar muito rapidamente e as ondas também.

Baixamos primeiro a vela grande, que dava sinais de que iria explodir na altura da tala do tope e em seguida a genoa.

Com as velas bem amarradas e o leme também, entramos para dentro da cabine e tentamos descansar.

O barco derivava ao sabor das ondas e do vento e não havia nada melhor para fazer naquele momento.

O vento era tão forte que qualquer tentativa de colocar uma vela de tempestade poderia causar um acidente grave.

Seria melhor derivar sem nenhum prejuízo (estávamos a mais de 200km da costa) do que correr o risco de perder um tripulante ou desmastrear o barco.

A noite foi de mar enorme e o vento passava dos 40kt.

Ao amanhecer o vento baixou e conseguimos colocar a genoa.

A vela grande havia rasgado e subiria mais tarde, após os reparos.

Já próximos de Abrolhos, mas ainda fora do alcance visual, consegui contato com o pessoal do IBAMA e os convenci a desembarcar o tripulante.

Arrumaram uma carona com um barco de mergulho e a alegria tomou conta da tripulação, exceto do tripulante que ainda estava em crise.

Quando entramos na distância visual do arquipélago o jovem parou de chorar e começou a rir como uma criança.

A fobia de falta visual de terra havia passado!

Fundeamos na ilha principal e em seguida o bote do resgate chegou para buscá-lo.

O bote chegou, nos despedimos e ele partiu.

No decorrer daquela manhã as nuvens começaram a se dissipar e o sol, que não aparecia há muitos dias, brilhou todos os dias até o final da viagem.

A nuvem escura finalmente havia saído de cima de nós!

O astral mudou da água para o vinho e a alegria tomou conta do barco.

Os ventos de popa nos carregaram nos braços até Búzios e depois de um descanso rumamos para Ilhabela, onde realizamos a entrega do barco.


Vela Oceânica em Florianópolis, Aula de Vela em Floripa, Escolas de Vela no Brasil
Aprenda a velejar em Floripa, Escola de Vela Oceano, Universidade da Vela no Brasil
Veleiro Floripa, Barco à Vela Florianópolis, Charter de Veleiro em Floripa
Como aprender a velejar? Quero aprender a velejar, Velejar é uma arte
Aluguel de barco em Floripa, Aluguel de Veleiro para comerciais e filmes
Curso de Veleiro, Escola de Veleiro, Curso Navegação Costeira, Curso Iatismo
Travessias Oceânicas, Vela de Cruzeiro, Curso de Vela de Cruzeiro
Escola de Iatismo, Vela de Cruzeiro, Vídeos de Veleiro, Vídeos Velejando
Professor Marcelo Visintainer Lopes, Velejar, Onde aprender a velejar?
Escola de Vela Itajaí, Curso de Vela Oceânica Itajaí, Aula de Vela Itajaí
Escola Veleiro Itajaí, Velejar Itajaí, comprar veleiro, vender veleiro, aulas de iatismo
Morar em um veleiro, morar a bordo, quanto custa morar em um veleiro

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Vela Grande e Genoa - truque ou técnica?

Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela      

Escola de Vela Oceano


No final dos anos 90 tive oportunidade de dividir espaço com uma fábrica de velas de Porto Alegre e esta experiência embasa o tema de hoje.

Eu estava reformando minha nova sala de aula e precisava de um local para instalar a secretaria da escola até concluir o trabalho.

O ambiente artesanal de uma oficina de velas tinha muita ligação com a minha infância e adolescência de velejador e a ideia de trabalhar ao lado de um dos caras que mais entendia daquilo no Brasil me encantava.

Após algumas semanas o meu dia já estava dividido entre as aulas de vela e o estágio informal em todas as etapas do processo de fabricação (da medição aos acabamentos).

Na sequência comecei a percorrer os clubes fazendo a instalação das velas e dos sistemas (lazijack e enrolador).

Raramente o proprietário se fazia presente na hora da instalação e era normal surgirem dúvidas nas primeiras velejadas.

Subir a vela grande da maneira correta sempre foi um problema para quem está começando a velejar e até mesmo gente mais antiga se atrapalha de vez em quando.

A dúvida mais comum com a genoa era o excesso de força exigido para enrolar e também o fato dela ficar mal enrolada (com partes brancas expostas).

Ao contrário da genoa de enrolador, que abre em qualquer posição em relação ao vento, a vela grande apresenta dificuldade em subir se o barco não estiver aproado.

É possível subir o grande com o barco fora da zona morta (próximo a ela) somente se a escota estiver toda folgada. Se você não dominar esta técnica é mais seguro aproar o barco.

Tão importante quanto adquirir a técnica para subir e baixar a vela grande é você conhecer as consequências de uma manobra mal executada.

Desgaste prematuro do tecido, quebra de peças e até rasgos são as consequências mais comuns.

Na genoa a consequência do mal fechamento é a exposição de partes da vela aos raios ultra violeta e o risco posterior de uma abertura involuntária (ventos fortes/muito fortes).

Criei um passo a passo para tornar mais fácil a subida da vela grande (com slides):

1.Aproar o barco.

2.Folgar o burro.

3. Folgar a escota.

4. Subir a vela com atenção na passagem das talas pelas adriças do lazyjack.

5. Dar a tensão necessária na adriça.

6. Folgar o amantilho.

7. Encostar o burro (pré-tensionar).

8. Ajustar o amantilho novamente.

Para subir uma vela sem carrinhos (testa entralhada) é necessário que um tripulante guie o entralhamento na canaleta, enquanto o outro caça a adriça. É possível fazer sozinho, porém é mais trabalhoso.

Se houver um tripulante disponível para “dar bomba na adriça”, junto ao mastro, melhor…

Procedimentos para baixar a vela:

1. Aproar o barco.

2. Tripulante junto ao mastro pronto para puxar a vela para baixo (vela com slides).

3. Folgar a escota do grande.

4. Abrir o stopper e liberar a adriça.

5. Organizar a vela dentro da capa, puxando a valuma em direção à popa (para tirar as dobras amassadas).

As velas com carrinhos roletados descem praticamente sozinhas.

As velas com entralhamento devem ser puxadas manualmente.

Se não houver tripulante para ficar junto ao mastro, a mesma pessoa que está no stopper deverá se dirigir ao mastro.

Procedimentos para enrolar a genoa com ventos médios a fortes:

1. Empopar o barco e tentar esconder a vela atrás do grande, pois a pressão na vela é infinitamente menor do que em qualquer outro ângulo.

2. Caçar o cabo do enrolador e dar tensão na escota para o rolo ficar ajustado.

3. Dar duas voltas completas das escotas ao redor da vela enrolada.

4. Prender com firmeza e cuidado o cabo do enrolador (stopper, cunho, mordedor etc).

Em dias de vento fraco, o ângulo do barco em relação ao vento não fará diferença no peso da genoa ao ser enrolada.